Carta pro Pescador

Posted on June 28, 2015

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Querido Apóstolo, creio que você descansa no Senhor e não há chance alguma de eu estar incomodando ou interrompendo.

Mas também creio que o Mestre está ok se eu meditar de forma metalinguística, meta-cartística… porque já que Ele os inspirou a deixar cartas, deve sorrir benevolentemente quando, alguma pessoa — dessas, ao mesmo tempo ingênua e pretensiosa, e extremamente necessitada de um pouco de sabedoria — resolve respondê-las.

O que eu queria falar Pedro, é que eu sempre acho engraçado quando você diz que as cartas do irmão Paulo, às vezes, contém trechos de difícil entendimento.

Porque para mim, as suas é que são difíceis.
Sempre, sempre as suas duas, dentre todas as 21.

Justo para mim, com minhas tantas letras, tendo muito mais de fariseu do que pescador: Como disse um certo discípulo Jack, chamado Lewis, “Those like myself whose imagination far exceeds their obedience…
:/

Desculpa aí. Eu sei que você não precisa de emoticon para sentir o drama, mas isto aqui deve parecer um blog. E se eu não usar linguagem adequadamente digital, então não fica. Perdão.

Mas a questão, Pedro, é que suas cartas, para mim, não são difíceis de entender… e, mesmo assim são as mais difíceis.

Talvez, (se posso arriscar algo assim) é que nelas, da forma mais inescapável, se sobressaia a essência da experiência de se converter: Tudo fica simples… mesmo se torne mais difícil. Principalmente o certo e o errado, o que é verdade.

Mas, sinceramente, ainda assim eu não desisto de questionar o porque delas parecem, estranhamente, serem menos famosas? Será por que são só duas? Elas não são mais simplificadas, elas não tem menos estilo, nem são menos bonitas, comparando com Paulo e João.

Mas são um bocado sobre aceitar e obedecer. Menos sobre fazer compreender ou explicar o que você já sabia. Talvez seja isso.

Depois de um discurso duro, muitos O deixaram e Ele te perguntou se você não ia embora também.
Aí você respondeu, que não haveria nenhum outro lugar para se estar, senão ali. Cá pra nós, ter entendido essa sua resposta é a palavra que me sustenta. Ou levanta, e sustenta.
Sustenta, enfim.

Obrigada, Pedro.
Pelo que já me foi dado, eu costumo inteligir as cartas do irmão Paulo sem maiores dificuldades.
Já as suas devem ter sido o que me foi mais necessário – ainda sendo – porque, até para ler, são meu maior desafio.

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