Notícia Passada e Querida – 2ª edição.

Posted on January 24, 2015

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Este foi um bom texto que eu escrevi para o trabalho em 2013, mas que não foi enviado para publicação.

Como o trabalho mencionado nele não deixou de ser significativo, vou deixar ele aqui.

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Cuidados de saúde mental em Alagoas rendem estudo pioneiro

Pesquisadora da Fapeal ganha destaque na USP

Neste dia 18 de maio, comemoram-se 25 anos de luta antimanicomial no Brasil, numa semana marcada por manifestações. Termo controverso, precisa ser cuidadosamente explicado para não cultivar resistências: A postura do Ministério da Saúde em relação à doença mental tem mudado desde 2011, de acordo com a Lei Paulo Delgado, nº 10.216. Conhecida pelo nome de Reforma Psiquiátrica Brasileira, esta renovação de políticas públicas é uma resposta a um novo paradigma, que questiona a prática da confinação e volta seu foco para o cuidado do portador de transtornos psicossociais e emocionais como um ser humano completo, com possibilidades de integração comunitária. Não se trata de dispensar remédios ou psiquiatras, mas abrir caminhos para uma abordagem de tratamento que inclua a ressocialiazação e a continuidade.

Oportunamente, a terapeuta ocupacional Mara Cristina Ribeiro concluiu seu doutorado sobre “A Saúde Mental em Alagoas: trajetória da construção de um novo cuidado”. Professora da Universidade Estadual de Ciências de Saúde (Uncisal), a doutora Mara realizou sua tese na Universidade de São Paulo (USP), com bolsa concedida pela Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa (Fapeal). Por seu caráter sistemático e pioneiro, o trabalho recebeu distinção e louvor em sua defesa na instituição paulista, que recomendou sua publicação ao órgão alagoano de fomento.

O trabalho é uma oportunidade para que a sociedade conheça a razão de ser e o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), unidades de tratamento de doença mental. Com verbas federais administradas pelos municípios, os CAPs começaram a surgir em Alagoas em 1996, e tem estímulo oficial no Estado desde 2005. Contam com equipes multiprofissionais e se pretendem um contraponto ao isolamento e descontinuidade do tratamento tradicional dos hospitais psiquiátricos, fornecendo não apenas a medicação, mas também outras formas de cuidado terapêutico e técnicas de socialização, buscando uma melhor integração dos usuários e suas famílias numa sociedade que ainda vê dificuldades mentais como estigma. A adoção deste novo modelo, mais humanizado, é tida como uma conquista política, no entanto, o texto dá a entender que a luta continua.

Por isto, a pesquisa aborda também pontos críticos que precisam ser alvo da atenção da sociedade e da academia, pois passam por questões inclusive políticas, por exemplo, financiamento, a pesada carga de trabalho e número reduzido dos profissionais, a falta de preparação específica nos níveis técnicos e universitários, a continuidade da prática e ideologia do modelo manicomial, a necessidade de uma maior integração com os Postos de Saúde Familiar (PSFs) e demais instâncias do Sistema de Saúde, e a educação de toda a sociedade em relação a doença mental. Outro ponto crucial, que precisa de atenção específica e avaliação cuidadosa, bem como ações direcionadas, é o tratamento dos usuários dependentes do álcool e drogas.

Alcance Público – Escrita em estilo acessível, a tese vai além da possível dificuldade da linguagem científica, propondo uma comparação com a prática das rendeiras de filé na estruturação do texto. Seguindo o método da pesquisa qualitativa, traz as vozes de gestores, docentes das instituições de ensino superior, profissionais, usuários dos CAPs e suas famílias. A comunidade científica e o público geral poderão encontrar nele um resgate histórico das mudanças pontuais na cultura e prática do cuidado em saúde mental no estado de Alagoas. Cotejando o pouco de produção científica sobre o assunto que já existe com fontes mais atualizadas, como dado dos SUS, a pesquisa preenche lacunas e promove uma avaliação da atual situação do cuidado em saúde mental no Estado, que esclarece a situação interna e contextualiza Alagoas com o resto do país, tanto em relação à pesquisa científica quanto à prática concreta e a realidade das instituições voltadas para este tipo de tratamento.

O ideal da doutora Mara Cristina é que seu trabalho contribua com os Centros de Atenção Psicossocial. “Meu compromisso ético é com os CAPs”, declarou em conversa com Janesmar Camilo, presidenta da Fapeal, que considera estratégica a produção acadêmica em saúde focada em buscar caminhos para melhores práticas e em gerar ações de extensão, principalmente como auxílio ao SUS.

 

em 17/05/2013

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