“Bibliafilia”

Posted on December 1, 2013

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Sobre formas diferentes de fazer A MESMA COISA para o resto da vida.

Disclaimer: Este post foi escrito fundamentalmente a partir de uma posição de fé, portanto a linguagem aqui utilizada se desobriga de ser inclusiva em relação à quaisquer perspectivas céticas.
Por outro lado, a experiência bíblica aqui expressa é pessoal, individual e particular.

Por estar com 29 anos, eu decidi que 2013 seria o ano em que eu leria “todos os grandes clásicos que ainda faltam”, antes dos 30.

Tinha planejado os 7 volumes de Proust, Ulysses de Joyce, Grande Sertão Veredas, Os Sertões de Euclides da Cunha, e – com sorte, tempo e dinheiro – Counterpoint de Huxley, e até mesmo The Sound and the Fury, de Faulkner.
(Por favor, não vamos falar de Tristam Shandy e The Anatomy of Melancholy agora).

Ao invés disso, eu li a Bíblia.
Inteira, capa a capa, numa média de 12 páginas por dia, graças ao plano de um app, que era para durar 90 dias, mas eu fiz em 106 ou 107. #notbad, I guess.

Essa é minha!

Essa é minha!

Me diz o software que eu comecei em 25 de agosto; me diz o calendário, que eu terminei na quinta 21 de novembro.

Minha motivação foi mesmo religiosa. Eu estou convencida que preciso ter um mínimo que seja de contato com o alimento espiritual que é a palavra de Deus a cada dia. Eu não quero não ler a Bíblia todo dia. Eu posso dizer sem hesitar, sem qualquer tipo de gabolismo, dubiedade ou insegurança que eu quero, gosto e preciso ler a Bíblia todo dia.
(PS: Também se trata de uma escolha estritamente pessoal e instransferível para a qual eu não preciso de aprovação, e pela qual não espero ganhar nenhum tipo de crédito.
Parafraseando o Apóstolo Paulo sobre a sua missão própria: Ai de mim, se eu não fizer isso – mas paradoxalmente ( e ao mesmo tempo, segue-se) – que privilégio e que prazer fazê-lo!).
E – a bem da verdade, – que desafio! Até mesmo pesado, às vezes.

A questão é que para mim, sendo quem eu sou e como eu sou, seria difícil não escrever nada sobre qualquer coisa que consiga – ao mesmo tempo – me ocupar o coração e o cérebro.

E numa vida como a minha, não há como revisar as prioridades sem revisar prioridades de leitura – porque leitura sempre foi uma prioridade muito, muito, muito séria e presente e querida e imprescindível para mim.

E este blog, enfim, ainda é meu, só meu, todinho, – e por definição, é de escrever o que eu achar que devo, não importa o grau de desinteresse de quem quer que seja.

Então, lá vai:

Eu já tinha uma certa familiaridade com as Sagradas Escrituras, e desde o ano passado vinha num processo que, este ano, realmente se tornou algo diário, com pouquíssimas exceções.

Ano passado, eu lia aleatoriamente, tentando ler todo dia ou quase. Do meio para o final do ano passado, até mais ou menos meio deste ano, eu me familiarizei bastante com alguns capítulos específicos, a partir de um livro que os tomava como sustenção para o assunto que tratava, entre 90 e 100 deles, a maioria do Novo Testamento, com repetições, numa ordem não-cronológica e não-textual.Eu lia cada um desses capítulo em 3 traduções, por dia. Ou pelo menos, EU TENTEI 😛

Do meio pro fim deste período, só pra não descumprir meu compromisso pessoal, eu terminei lendo só mesmo uma, mesmo que fosse muito cansada e com sono na hora de dormir, a Almeida Revista e Corrigida. #myversionofchoice

E então, nesse meio tempo, pensando no que viria após e coincidindo com a aproximação de um período de férias, eu encontrei o plano de Bíblia inteira de 90 dias do app, e veio mesmo a necessidade de pelo menos me inteirar do texto desse livro dos livros.

Porque quase todo mundo – a julgar por mim, a vida toda – acha que sabe o que a Bíblia diz, não tendo lido realmente ela.

E de fato, a gente sabe. Nossa cultura é cristã e, de um modo ou de outro, entramos em contato com porções significativas dela por toda a vida. Eu já havia lido alguns de seus livros, inclusive inteiros, da infância até então.

Mas de fato, a gente sabe pouco…
…um pouco que é uma semente da melhor qualidade, mas “a coisa” simplesmente toma outra dimensão quando você se dedica de forma consciente a isso, ok?
Mas eu não vou entrar no lado espiritual da questão, porque isso é pessoal, e fugiria às intenções  próprias deste blog – #testemunhoéoutracoisa.

E também há que se levar em conta que esta é meramente a experiência bíblica individual de uma pessoa MUITO LIVRESCA MESMO e com uma tendência acima da média de intelectualizar as coisas – seja o que for.

Mas, voltando: A questão aqui é que há várias formas de ler e/ou estudar a Bíblia todo dia para o resto da sua vida – e eu estou animada com isso pra minha!
Naquele dia 25 de agosto a que já aludi, numa coincidência mais que bonita, meu irmão me deu de presente um pequeno dicionário bíblico da Imprensa Oficial Graciliano Ramos #madeinAlagoas… Que já figura como um dos meus planos…

…Porque eu tenho vários!!! E era aqui que eu mais queria chegar com esse post, porque esta é a parte divertida: encontrar sua liberdade nesse processo e engajar sua criatividade, inteligência e emoções nele.

Eu, maluca que sou – tenho um gosto, que aparece quase como necessidade – de “aleatoriedade sistemática” nas coisas.

O que eu tenho feito no momento – semana passada, ontem, hoje, anteontem – e amanhã também, se Deus quiser – é ler um capítulo por dia de uma tradução diferente do Evangelho de João, que desde 2011 tem sido especialmente significativo de várias formas na minha vida. (Ref. Ciro Mioranza, Editora Escala). Devo gastar 21 dias com isso, de acordo com o número de capítulos. E depois?

joão_pocket

Olha só! É Pocket! É mini!

Eis os planos/perspectivas que eu tenho no momento, não necessariamente na ordem que vão acontecer, pois eles vão acontecer na ordem a que eu me sentir mais inclinada – e claro, isso é coisa pra anos a fio, mas o que realmente importa aqui é o “pão cotidiano”: “the long run“, aparece só como uma questão de organização, mainframe, etc…

  • Leitura referencial do Livro do Profeta Jeremias – que foi o que, dos do Velho Testamento, me deixou uma impressão mais especial.

As referências, no caso, são intrabíblicas, e vêm nas notas de rodapé (veja abaixo). Minha edição usual é bem “megamaster” nesse sentido;

Referências Intrabíblicas

Referências Intrabíblicas

  •  Do app: Um plano de um mês sobre “Porque ler a Bíblia”; esse é a partir de versículos, não de capítulos; mas, lógico, eu pego os capítulos inteiros; um por dia, né…

(acho que metalinguísticas sempre me serão uma paixão)

  • Em depedência de outros volumes de Bíblias:

(pois há centenas de versões no app… mas eu só falo 2 duas línguas e prefiro ler em papel)

  •  E também descobrir as assim chamadas Bíblias de Estudo, sendo as que me interessam: a Bíblia de Estudo Almeida, bem básica, a Bíblia de Estudo Thompson (só porque usa uma tradução chamada “Almeida Contemporânea”, que pelo pouco que eu vi, é excelente), a Bíblia de Estudo Arqueológica, por motivos auto-explicativamente óbvios… AINDA não sei exatamente como elas funcionam, mas, de longe, suponho que um capítulo por dia na ordem textual + parte de estudo, seria proveitoso com qualquer uma dessas..
  • E ainda do app, pegar as fantásticas referências – outra leitura referencial, no caso – da versão “Ortodox Jewish Bible

E assim, creio eu, assim vai, assim irei…

(PS. Já que algumas pessoas querer ver obscuridade onde não tem, eu acho melhor deixar o óbvio, além de claro, ululante: Minha PRIORIDADE – e minha leitura mais querida tbm – agora é a Bíblia, porém eu não parei de ler outras coisas, du-h!!!)

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NOTAS

O que o New York Times tem a dizer sobre o tal app – em 3 segmentos de uma reportagem especial.

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