Cozinhando com Emily Brontë

Posted on March 26, 2012

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(Isto era pra ter sido publicado em algum lugar Natal passado; se pelo menos eu não tivesse esquecido de enviá-lo para que fosse encaminhada a publicação 😛 Enjoy o clima-de-pão-velho-do-Natal-passado.)

É de Comer e para Olhar.

Receita européia traz versatilidade ao Natal.

 “Ela me trouxe um pouco de vinho quente e pão-de-gengibre, e pareceu extremamente amável”  Emily Brontë, em O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, romance, 1847)

  Gingerbread. Pão-de-gengibre. Depois de ver a tradução da palavra fui pesquisar mais e acabei descobrindo uma massa interessante… que também serve como decoração natalina em alguns países, e até deu nome para o lançamento de natal do Smartphone Android em 2010 (este ano, veio o Ice-Cream Sandwich, sanduíche de sorvete).

Tecnologias à parte, o Gingerbread, que me interssou por causa de O Morro dos Ventos Uivantes, tem muito mais a ver com um bolo rústico do que com pão. Gosto de defini-lo como o tio europeu do nosso pé-de-moleque.

Tem versões suíças e alemãs, mas é primordialmente uma comida do povo inglês, e não da aristocracia. Feito com cascas de fruta e melaço (melado de cana), torna-se bastante nutritivo e energético. Mas para os ricos, que queriam conservar sua lânguida palidez às custa de sanduíches de finíssimas fatia de pepino no pão branco e manteiga sem sal, servia apenas para decoração: os bonecos e casinhas esculpidos de Gingerbread assado feito biscoito se tornaram famosos como um dos costumes típicos dos natais ingleses e americanos.

E o que torna a tradição ainda mais divertida  é o fato de ser o tipo de atividade perfeita para babás, criadas, cozinheiras e vovós entreterem as crianças que querem se envolver com os preparativos do Natal. Na Alemanha, o gingerbread decorativo é associado com a casa da bruxa de João e Maria, conto que veio de lá.

O Gingerbread é particulamente interessante para quem gosta de “experimentos” culinários, pois mesmo sendo um prato tão tradicional  traz uma pitada de exotismo ao paladar brasileiro. Coisa de avó britânica. Surgiro que seja sim, experimentado como bolo rústico.

E fica a dica: é uma alternativa conveniente para quem não gosta de canela obrigatória, dispensa trigo refinado ou tem alergia a amendoim.

Tive que traduzir a receita do inglês, pois o modo de preparo disponível na web em português é voltado para os famosos biscoitos de homenzinho, mesmo sem muita diferença nos ingredientes. Ainda há variações que levam chocolate, frutas, cerveja preta ou pimentas e nozes.

Ouse:

450 gramas de farinha de trigo (pode ser integral).

225g de açúcar mascavo

2 colheres de sopa de raspas de gengibre

1 pitada de sal (pode ser sal kosher, se preferir, devidamente “esfarelado”)

175 gramas de manteiga ou margarina, de preferência sem sal, à temperatura ambiente.

50 gramas de cascas de frutas (usei laranja, maçã e goiaba)

4 colheres de sopa de melado de cana

160 ml de leite integral talhado (basta espremer um pouco de limão)

2 ovos (substituíveis por duas bananas – é só para dar consistência).

Pitadas de cravo e canela em pau a gosto.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Use forma quadrada média ou pequena untada e polvilhada. Ponha todos os ingredientes secos – sem as cascas de frutas – num recipiente e misture. Acrescente a manteiga e misture. Derrame as cascas de frutas. À parte, amorne o melado e misture nele os ovos muito bem batidos (ou as bananas). Misture no recipiente com os outros ingredientes. Acrescente o leite talhado pelo limão. Ao forno por 30 ou 40 minutos. Como é rústico, não há muita preocupação com bater a massa, apenas misturar tudo muito bem na ordem correta. Fica melhor dormido e pode ser cortado e servido ao estilo de brownies.

 

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