Deixando Zizek Orgulhoso, à maneira dos Hegelianos (que deixariam Hegel Ageistado, hehe)

Posted on March 4, 2012

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Em Koba, the Dread, biografia de Stálin, Martin Amis tentou cof,cof fazer como John Milton: pegue a grande narrativa utópica de seu tempo, esqueça aquela conversa sobre o bem da humanidade e foque no Inimigo.

Guardadas as devidas proporções, claro. Nos séculos XIX e XX, tentou-se dispor das grandes questões éticas de forma política. De fato, na Modernidade os conflitos humanos mais profundamente simbólicos revestiram-se de determinações profundamente políticas.

Heidegger versus Descartes: Totalmente gratuito, porém impagável.

Daí a lição de Oscar Wilde em sua primeira obra teatral, Vera, or: the Nihilists, peça teoricamente exemplar, ainda que estilisticamente imatura, até mesmo medíocre: é uma releitura de Romeu & Julieta através das coisas que então poderiam justificar dramas e tragédias épicos: Não mais rivalidade feudal, e sim luta de classes. A camarada Vera se apaixona pelo filho do Czar, que por dentro é um rapaz muito sensível e também conspira escondido com os subversivos; estes, por sua vez, desconfiam dele por causa de sua cara e maneiras de rico. Não vou contar o final.

Mas se para Milton as grandes questões religiosas do Bem e Mal eram também uma coisa política, e assim, com a figura de seu Satã, em Paradise Lost ele conseguiu um drama de proporções épicas, tragédia*, Stalin rendeu para Martin Amis apenas uma farsa**. Não dá pra ser Pós-modernista e trágico ao mesmo tempo.(E se isto não fica claro para você, não é problema meu, certo?). Há uma certa diferença de proposição estética e substrato ontológico entre discutir o Mal sob a égide de Lúcifer ou do Secretário geral do Partido.

Mas agora, a parte em que Zikek fica orgulhoso: Falo assim sem ter lido Koba the Dread; e ponho a culpa deste descaramento altamente razoável em… Hegel!

Koba

Todos vocês, que gostam mais de idéias – e pior para os fatos – e portanto se acham no direito de não ver o filme, não ler o livro e mesmo assim não gostar, no entanto sendo capaz de argumentar a respeito e defender isto com toda a razão – ênfase no GEIST! – vamos nessa: Fundemos nossa culpa e autoridade, ambas em determinação reflexiva, no… Hegel!

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*+**Citação de Marx que serviu como referência cruzada ou mensagem subliminar do mal, caso você creia em OlaVIniS de Carvalho para este post:

PS. Mangar de Hegel é um gosto adquirido e para poucos: mas quando você pega o jeito, não tem mais volta. Boa sorte

  •  Zizek sobre Batmantalvez isso tenha sido depois de assistir, mas ele já discordava do filme antes.
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