Integrados Vanguardistas e Periféricos Anômalos

Posted on November 7, 2011

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O que aconteceu à Literatura Brasileira entre a morte de Machado em 1908 e a Semana Modernista de 22?

Na Europa, de acordo com Brecht, os expressionistas libertaram-se da sintaxe, mas não do capitalismo. Aqui, enquanto não chegava a Revolução Sintática, escritores como Lima Barreto e João do Rio tratavam de se libertarem da moral e bons costumes. Não que houvesse algo de necessariamente errado com isso, mas entre a sofisticação fin de siécle que fundou a ABL e a sua condição de mulatos da periferia, havia um fosso por dizer – ou isto, ou usar vozes maquiadas, para caber nas convenções literárias da época.

Os grupos vanguardistas que lançaram manifestos tiveram o luxo de vivenciar pluralidades culturais européias ou imigradas, e puderam escolher a si mesmos enquanto discurso, ao mudar suas bases fundadoras, projetando publicamente imagens construídas com o próprio fazer estético.

Já os periféricos, mesmo sem postulação formal de uma nova atitude, serviram como motivadores essenciais do questionamento ao literário tradicional, quando trouxeram as margens do Brasil à tona: gente que não acabava casando, nem nunca leu Mallarmé.

E ainda herdeiros da grande tradição realista, fizeram boa literatura simplesmente ao escrever bem sobre suas vivências: o morro, o alcoolismo de Lima Barreto, a homossexualidade de João do Rio. Escrita autêntica, por vezes jornalística, mal se preocupou com beleza. Mas por si mesma é forte, e desbravou.

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Posted in: CRÍTICA