Para bom entendedor… ou texto escrito só porque um filme metalinguístico, feito de uma peça, que já era releitura de Shakespeare, me deixou ligeiramente entediada.

Posted on October 31, 2011

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Há uma tênue linha entre a auto-referencialidade conceitual de uma narrativa pós-modernista e… uma versão intelectual da punh o excesso dela. Já dizia Voltaire que a  melhor maneira de entediar é não deixar nada de fora, e quando tal maneirismo de revoluteio parece mais presente que quaisquer outro recurso estilístico na obra, esta, então, se arrisca a: soar hermértica → parecer pretensiosa → acabar entediando o Público.

Público é uma legendária entidade cujo prestígio teórico está em franco declínio, graças ao seu comportamento inaceitável: Ao contrário de jornalistas, críticos, amigos e blogueiros, se dá ao luxo de expressar suas experiências estéticas em fórmulas tão crassamente determinísticas como “que chatice” e “deu preguiça”; além disso, a parte menos razoável dele chega ao cúmulo de admitir que não se interessa por joguinho conceituais explícitos demais e implícitos de menos.

(a propósito, aqui trocar “explícito” por “estruturante” daria no mesmo ¬¬)

Mas esse tipo de preocupação, em notável em sintonia com o assim chamado Mercado, mesmo quando indiferente para a Teoria, continua problema sério para a Crítica, que acha sobre o procedimento em questão basicamente o seguinte:

A auto-glossagem e/ou a meta-autoglossagem (ad infinutum enquanto dure, até) é uma tentativa frustrada e frustrante de pré-embutir e/ou fazer emanar pronto algum significado no que deveria ser simplesmente conteúdo sensível de um objeto estético.

Em outras palavras auto-interpretação e ou meta-comentários obsessivos não vão emprestar valor ao seu texto***/filme se a própria forma e/ou conteúdo não funcionar por si. Não funcionar, em suma.

Já dizia eu mesma a meu travessereiro, uma Kunstwollen só, não faz Bildungs-a-romance.

Seja qual for o suporte (ou não-suporte),  onde falta genuína construção estética e/ou articulação lingüística, tenta-se disfarçar, arranjar substância dizendo que isto significa e/ou representa aquilo. Nota-se, então, que isto é deficiente ou insuficiente: incompetente, enfim… quando não pior: despropositado.

Que coisa feia! dizemos nós críticos… inclusive, produzir discurso referido para fins de explicação, análise e valoração seria… trabalho nosso!

Vocês, tratem é de fazer bonito!

Mesmo porque, quando o público nota que o imperador está nú, manifestam-se certas convenções interpretativas, que geralmente consistem em proferir juízos de valor sobre a obra em termos de base materialmente comum e culturalmente compartilhada.

Então, vamos combinar: é  Referência de Macro Contextos 1 X 0 Ressonância Hermetizada.

😉

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NOTAS

*** Não é um texto acadêmico = não vou discutir o conceito; sim, estou ciente de que “filme” pode ser considerado “texto”, obrigada.

o Ferreira Gullar, Argumentação contra a Morte da Arte: Querendo briga, é melhor ler isso antes.
o Já mandei o velho Borges literal e literariamente pro inferno num conto-tarefa-de-casa-da-faculdade, obrigada.
o Sim, também podia ter apresentado este argumento de forma acadêmica, como justificativa teórica para estudo de caso, usando Literatura pós-modernista relevante engajada ou hodierna, como Margareth Atwood e Pedro Maciel.

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Posted in: CRÍTICA, METANOIA